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GOOOOOOOOOOOLO

NO CORO DA IGREJA

À HORA DO TERÇO

 

A propósito de golos e histórias antigas, mais antigas que as que tenho lido...
Esta passou-se no Seminário de Coimbra. Aos domingos por volta das 4 da tarde "havia terço" na capela. Como éramos muitos, parte tinha de ir para o Coro.
Um dia, enquanto o presidente rezava a Avé Maria e todos esperavam religiosamente o tempo da resposta ouviu-se no Coro uma explosão: GOOOLO! Ficou tudo estarrecido e as consequências foram bem nefastas para alguns.
O que se passara, foi o seguinte.
Às 4 horas era hora de futebol e muita malta ia contrariadíssima. Então entraram em função os técnicos. Montaram uma galena para o Coro e havia sempre alguém que acompanhava o relato e passava a notícia. Simplesmente desta vez o entusiasmo foi tal que em vez da habitual boca a boca a informação foi proclamada do alto do Coro para toda a assembleia.
Estive a rever a fotografia do Luis Carlos da selecção de 1960. E lá estava eu também. Fomos de Coimbra jogar à Figueira. Recordo-me bem desse desastre. Eu, que nunca na vida jogara com luvas (nem voltei a jogar), resolvi não sei por que carga de água calçar umas luvas de..., imagine-se, lã. Então foi o bonito: não fui capaz de segurar uma única bola e quantas lá foram quantas entraram. Resultado final: 3-0! (ZD)

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OS SEMINARISTAS
APOIAVAM OS CIGANOS

«E a minha geração coimbrã alinhou em algumas actividades com ele, nessa área da pastoral dos ciganos! Ali à Estação Velha houve até há pouco tempo aquele terreno que tinha umas barrracas /abrigo de ciganos. Aquilo nasceu no meu tempo de Coimbra! Andei lá cortar o choupos com outros camaradas e lembro-me que foram transportados para a serração do inicio do Monte Formoso na camioneta do Seminário, conduzida pelo Moreira! O Moreira eram um rapaz muito mais velho que nós, que veio de Beja, já com tropa feita e que era barbeiro! E tinha carta de pesados tirada na tropa! Nunca mais o vi! Sei que é padre na Diocese de Beja e foi ou terá sido responsável pastoral pelos ciganos! Ficou-lhe o bichinho! Já agora sempre vos digo que os ciganitos eram tão amigos do Padre Francisco que um dia lhe roubaram o carrito! Era um carocha já velhinho! E ele com aquele ar de pai bondoso a dizer...Coitados! Se calhar precisaram dele para resolver algum problema! Pois claro! O carrito voltou a aparecer!» (JVL)

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AULAS DE PIANO
 
«Muitos se recordarão das aulas individuais de piano.
Não tive, não tenho e nunca terei o mínimo jeito para a música (pena minha que poderia ter ganho a vida de outra forma, melhor ou pior, mas mais musical, de certeza). Por isso, a angústia e a ansiedade subiam em flecha com o aproximar do dia, da hora da aula seguinte e, em desespero de causa, lá me coagia a ir estudar(?) o trecho que o professor me havia destinado. Esforço inglório, porque os movimentos não eram decoráveis (se bem que, mais tarde, já em Coimbra, nas andanças d’ Os Dinâmicos, ou espectáculos do género, vi o Acílio Estanqueiro Rocha CONTAR as vezes que era necessário dedilhar a corda do seu cavaquinho para dar a primeira nota da canção “Puppet on a String”, com que a Sandie Shaw, de mini-saia e descalça, ganhou um Festival da Eurovisão nos finais de 60) e o meu ouvido não dava para aquilo.
Nem o empenho do então padre Dinis Cosme (que agradável surpresa nos provocou no último encontro de verão no Seminário de Coimbra – fisicamente muito bem e quanto à voz... magnífica, ainda) produzia qualquer resultado. Sentado a meu lado bem me incentivava, desde logo corrigindo pacientemente a posição dos dedos, mas nada surtia efeito.
Pensando que me ajudava, colocou-me sobre as costas das mãos uma chave. Ao primeiro movimento, como não poderia deixar de ser, caiu.
Numa alusão a uma das minha disciplinas favoritas, condoeu-se: “João, isto não é matemática, pois não?”.
Alívio, porque percebi que ele finalmente tinha percebido que era tempo perdido e que tocar piano nunca seria o meu futuro» (JDS)

FRASES

INESQUECIVEIS


 

 

- Ó rapaz és um alarve! ...

- Isso não!

- Vai lá buscar o dicionário...*


* neste diálogo é o Cónego Tomás Póvoa, Reitor do SIC, quem inicia a conversa

 

«Um homem de fronteiras é aquele que muitas vezes pisa o risco»


«Por mais que o Kant cante, o Conte conte e a Josefina ronque...»


«Ó rapaz fecha-me para aí essa boca que se vê o fundo às cuecas!»


«Corta-se à faca!»


«Passa? ...Não passa! Parece-me que passa... Brum, brum..um.um. Pum, pá, zum...um... Bem me parecia que não passava!
Ò filh.... o carro foi para as couves!»

(MRC)

 

O MEU MELHOR
PROFESSOR DE GREGO

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«Passa? ...Não passa! Parece-me que passa... Brum, brum..um.um. Pum, pá, zum...um... Bem me parecia que não passava!»
Esta lembro-me; só não me lembro do nome do padre, professor de Grego, nem da matrícula do carro que «pum...» no portão entre o edifício principal e a Casa Novíssima (?). Interessante era vê-lo sair, tirar medidas, apontar e «pum...». (AMS)

 

A frase citada (...) terá sido proferida pelo então professor de Grego, o Cónego Dr. ANTÓNIO BRITO CARDOSO, mais conhecido pelo “Britessssse Cardoso”, nascido no lugar do Esteiro-Janeiro de Baixo-Pampilhosa da Serra. Estive com ele há cerca de um ano, no funeral do meu pai. Está bem conservado e costuma, ou costumava, dar a sua voltinha a pé ao longo do Jardim Botânico, em Coimbra, ainda com o mesmo jeito das costas muito direitas» (JDS)

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UM GRANDE FILÓSOFO
E UM GRANDE MÚSICO

 

«Por mais que o Kant cante, o Conte conte e a Josefina ronque...
Ó rapaz fecha-me para aí essa boca que se vê o fundo às cuecas!
Corta-se à faca!»


«Estas histórias não são do SIC! Já são de Coimbra! Em rigor a frase citada em primeiro lugar não era bem assim pelo menos no meu tempo, o mesmo tempo do Pena, do A. Simões e outros! O Professor Oliveira Branco citava esta frase e nós adaptámos! "Por mais que o Kant cante, por mais que o Comte conte... por mais que o Branco ronque a filosofia andará sempre a monte!" Mas esta frase é muito injusta! Nunca considerei as aulas do Dr. Oliveira Branco desta forma! Devo-lhe aliás o meu gosto pela Filosofia.
A outra frase é também atribuída ao Dr. Branco! Era dita normalmente quando algum de nós abria a boca na aula! Tinha lógica! "Meu caro, fecha a boca por favor...que já estou a ver o fundo das cuecas!"
A frase "corta-se à faca" ficou célebre na boca do Padre Manuel Augusto Frade! Era normalmente proferida sempre que entrava no bar onde se jogam as cartas, onde se via televisão e se fumava livremente! De modo que o ar era irrespirável e de cortar à faca!
Quanto à história do carro do DR. Brito nas couves...Outros a contarão melhor! Mas conta que ele nunca foi grande condutor (daí o passa não passa...) e por isso mesmo foi para as couves a segunda vez no mesmo sítio! Uma questão de azelhice!? Talvez uma questão de fidelidade e coerência!» (JVL)


HISTÓRIAS
DO CARNAVAL
EM COIMBRA

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“In illo tempore” a quadra carnavalesca no Seminário de Coimbra incluía a “Adoração das 40 horas”. Assim, ao longo de 40 horas consecutivas, o Santíssimo, exposto na Igreja do Seminário, tinha uma “guarda de honra”. Os sucessivos turnos dos alunos sucediam-se dia e noite em ambiente de adoração e recolhimento.
As noites porém eram longas e as madrugadas custavam a chegar. Há já algum tempo a ideia andava a fervilhar, mas ainda não tinha surgido a ocasião mais oportuna.
Um reverendo, capelão de uma comunidade religiosa, que possivelmente vivia nos arredores do Seminário, deixava estacionado no jardins do dito o seu belo e estimado carrinho amarelo – era, nem mais nem menos, que um Ford Anglia, talvez posteriormente aproveitado pelo realizador dos filmes do Harry Potter. O reverendo aparecia pela manhã, bem cedinho; limpava cuidadosamente o pára-brisas e, envolto na sua negra capa, lá partia para o serviço religiosa. Havia que andar ligeirinho que a regra do Convento não tinha espera.
Cumprida a missão matinal, o carrinho lá voltava ao seu poiso e ali repousava, bem sossegadinho, esperando, quedo e mudo, o regresso do seu dono na manhã seguinte. Assim passava a roda dos dias e dos anos nesta pasmaceira pascácia. Os outros via-os ele, logo pela manhã, correr velozes pelas ruas da cidade, mas, ao longo do dia, apenas lhe chegava o ruído distante dos motores, coado pelas altas e sólidas paredes dos jardins do Seminário. Aquele estado depressivo em que o carrinho tinha entrado ia-se acentuando de dia para dia. Havia já quem falasse em consulta psiquiátrica, mas não formigavam na época, como hoje, os tais doutores.
Mas – dizia – a ideia já andava a fervilhar há muito naquelas cabecinhas juvenis. Faltava a oportunidade.
Pareceu que a conjuntura carnavalesca reunia as condições ideais. Libertar o carrinho das grilhetas, daqueles muros e daquelas grades fechadas por um enorme e negro portão de ferro.
Pela calada da noite, cumprido o preceito da hora de adoração, deu-se início ao acto libertador. Tinha chegado a hora!
Um grupo de “conjurados” dirige-se resolutamente para os jardins em direcção ao carrinho amarelo. O raiar da manhã ainda vinha longe e, por isso, o entorpecido carrinho, acordado pelo ruído das sotainas negras que se movimentavam na escuridão da noite, assusta-se. “- Não temas! Chegou a tua hora!” – sussurrou um dos “conjurados”.
Eis que a silenciosa turba avança e rodeia o desventurado carrinho. Cuidadosamente pegam-lhe ao colo e, muito a custo, levam-no bem para o centro daquele lago sem água, onde se cruza a rua que vem do lado do portão para portaria do Seminário com a rua perpendicular que vem do lado da Gráfica. Eis o carrinho ali, naquele pequeno cabeço, bem à vista de quem ia entrando. Ao raiar da manhã lá foram chegando as santas mulheres para a missa matinal e, um pouco depois, chega o amo que maquinalmente se dirige para o poiso habitual. Mas oh desilusão! O bichinho, como num sonho premonitório dos filmes do Harry Potter, tinha levantado voo. Nem quer acreditar. Esfrega os olhos, mas a triste realidade está ali, nua e crua, à sua frente. O Ford Anglia tinha desaparecido misteriosamente. Olha em redor, mas o Sol da manhã ofusca-lhe a vista. Retrocede desalentado. Mas ó prodígio dos prodígios, de repente olha e vê, lá bem no alto, o carrinho que para lá galgara durante a noite. Aproxima-se entre o ansioso e receoso, mas é ele, mesmo ele, o seu querido carrinho. Apalpa-o para se certificar. A sensação táctil não o engana. Contorna-o e, subitamente, depara-se com um letreiro: “Dá-se, é só levá-lo” (LC)

Antigos Alunos do Seminário da Figueira da Foz
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