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FRASES
INESQUECIVEIS
- Ó rapaz és um alarve! ...
- Isso não!
- Vai lá buscar o dicionário...*
* neste diálogo é o Cónego Tomás Póvoa, Reitor do SIC, quem inicia a conversa
«Um homem de fronteiras é aquele que muitas vezes pisa o risco»
«Por
mais que o Kant cante, o Conte conte e a Josefina ronque...»
«Ó
rapaz fecha-me para aí essa boca que se vê o fundo às cuecas!»
«Corta-se à faca!»
«Passa? ...Não passa! Parece-me que passa... Brum, brum..um.um. Pum, pá, zum...um... Bem me parecia que não passava! Ò
filh.... o carro foi para as couves!»
(MRC)
O MEU MELHOR PROFESSOR DE GREGO

«Passa? ...Não passa! Parece-me que passa... Brum, brum..um.um. Pum, pá, zum...um... Bem me parecia
que não passava!» Esta lembro-me; só não me lembro do nome do padre, professor de Grego, nem da matrícula do carro que
«pum...» no portão entre o edifício principal e a Casa Novíssima (?). Interessante era vê-lo sair, tirar medidas, apontar
e «pum...». (AMS)
A frase citada (...) terá sido proferida pelo então professor de Grego, o Cónego Dr. ANTÓNIO BRITO
CARDOSO, mais conhecido pelo “Britessssse Cardoso”, nascido no lugar do Esteiro-Janeiro de Baixo-Pampilhosa da
Serra. Estive com ele há cerca de um ano, no funeral do meu pai. Está bem conservado e costuma, ou costumava, dar a sua voltinha
a pé ao longo do Jardim Botânico, em Coimbra, ainda com o mesmo jeito das costas muito direitas» (JDS)

UM GRANDE FILÓSOFO
E UM GRANDE MÚSICO
«Por mais que o Kant cante, o Conte conte e a Josefina ronque... Ó rapaz fecha-me para aí essa boca que se vê o
fundo às cuecas! Corta-se à faca!»
«Estas histórias não são
do SIC! Já são de Coimbra! Em rigor a frase citada em primeiro lugar não era bem assim pelo menos no meu tempo, o mesmo tempo
do Pena, do A. Simões e outros! O Professor Oliveira Branco citava esta frase e nós adaptámos! "Por mais que o Kant cante,
por mais que o Comte conte... por mais que o Branco ronque a filosofia andará sempre a monte!" Mas esta frase é muito injusta!
Nunca considerei as aulas do Dr. Oliveira Branco desta forma! Devo-lhe aliás o meu gosto pela Filosofia. A outra frase
é também atribuída ao Dr. Branco! Era dita normalmente quando algum de nós abria a boca na aula! Tinha lógica! "Meu caro,
fecha a boca por favor...que já estou a ver o fundo das cuecas!" A frase "corta-se à faca" ficou célebre na boca do Padre
Manuel Augusto Frade! Era normalmente proferida sempre que entrava no bar onde se jogam as cartas, onde se via televisão e
se fumava livremente! De modo que o ar era irrespirável e de cortar à faca! Quanto à história do carro do DR. Brito nas
couves...Outros a contarão melhor! Mas conta que ele nunca foi grande condutor (daí o passa não passa...) e por isso mesmo
foi para as couves a segunda vez no mesmo sítio! Uma questão de azelhice!? Talvez uma questão de fidelidade e coerência!»
(JVL)
HISTÓRIAS
DO CARNAVAL
EM COIMBRA

“In illo tempore” a
quadra carnavalesca no Seminário de Coimbra incluía a “Adoração das 40 horas”. Assim, ao longo de 40 horas consecutivas,
o Santíssimo, exposto na Igreja do Seminário, tinha uma “guarda de honra”. Os sucessivos turnos dos alunos sucediam-se
dia e noite em ambiente de adoração e recolhimento. As noites porém eram longas e as madrugadas custavam a chegar. Há
já algum tempo a ideia andava a fervilhar, mas ainda não tinha surgido a ocasião mais oportuna. Um reverendo, capelão
de uma comunidade religiosa, que possivelmente vivia nos arredores do Seminário, deixava estacionado no jardins do dito o
seu belo e estimado carrinho amarelo – era, nem mais nem menos, que um Ford Anglia, talvez posteriormente aproveitado
pelo realizador dos filmes do Harry Potter. O reverendo aparecia pela manhã, bem cedinho; limpava cuidadosamente o pára-brisas
e, envolto na sua negra capa, lá partia para o serviço religiosa. Havia que andar ligeirinho que a regra do Convento não tinha
espera. Cumprida a missão matinal, o carrinho lá voltava ao seu poiso e ali repousava, bem sossegadinho, esperando, quedo
e mudo, o regresso do seu dono na manhã seguinte. Assim passava a roda dos dias e dos anos nesta pasmaceira pascácia. Os outros
via-os ele, logo pela manhã, correr velozes pelas ruas da cidade, mas, ao longo do dia, apenas lhe chegava o ruído distante
dos motores, coado pelas altas e sólidas paredes dos jardins do Seminário. Aquele estado depressivo em que o carrinho tinha
entrado ia-se acentuando de dia para dia. Havia já quem falasse em consulta psiquiátrica, mas não formigavam na época, como
hoje, os tais doutores. Mas – dizia – a ideia já andava a fervilhar há muito naquelas cabecinhas juvenis.
Faltava a oportunidade. Pareceu que a conjuntura carnavalesca reunia as condições ideais. Libertar o carrinho das grilhetas,
daqueles muros e daquelas grades fechadas por um enorme e negro portão de ferro. Pela calada da noite, cumprido o preceito
da hora de adoração, deu-se início ao acto libertador. Tinha chegado a hora! Um grupo de “conjurados” dirige-se
resolutamente para os jardins em direcção ao carrinho amarelo. O raiar da manhã ainda vinha longe e, por isso, o entorpecido
carrinho, acordado pelo ruído das sotainas negras que se movimentavam na escuridão da noite, assusta-se. “- Não temas!
Chegou a tua hora!” – sussurrou um dos “conjurados”. Eis que a silenciosa turba avança e rodeia
o desventurado carrinho. Cuidadosamente pegam-lhe ao colo e, muito a custo, levam-no bem para o centro daquele lago sem água,
onde se cruza a rua que vem do lado do portão para portaria do Seminário com a rua perpendicular que vem do lado da Gráfica.
Eis o carrinho ali, naquele pequeno cabeço, bem à vista de quem ia entrando. Ao raiar da manhã lá foram chegando as santas
mulheres para a missa matinal e, um pouco depois, chega o amo que maquinalmente se dirige para o poiso habitual. Mas oh desilusão!
O bichinho, como num sonho premonitório dos filmes do Harry Potter, tinha levantado voo. Nem quer acreditar. Esfrega os olhos,
mas a triste realidade está ali, nua e crua, à sua frente. O Ford Anglia tinha desaparecido misteriosamente. Olha em redor,
mas o Sol da manhã ofusca-lhe a vista. Retrocede desalentado. Mas ó prodígio dos prodígios, de repente olha e vê, lá bem no
alto, o carrinho que para lá galgara durante a noite. Aproxima-se entre o ansioso e receoso, mas é ele, mesmo ele, o seu querido
carrinho. Apalpa-o para se certificar. A sensação táctil não o engana. Contorna-o e, subitamente, depara-se com um letreiro:
“Dá-se, é só levá-lo” (LC)
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